Empreendedorismo em tempos de crise

Publicado em 13 de junho de 2017
Administração, Empreendedorismo, Produtividade
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Enquanto muita gente está preocupada com a crise, há quem enxergue o momento econômico atual como uma grande oportunidade para empreender. De acordo com pesquisa do grupo Estado, 70% dos brasileiros começou um novo negócio nos últimos anos por oportunidade. Os Microempreendedores Individuais (MEI) constituem grande parte deste número: só no primeiro semestre de 2015 surgiram 748.371 novos empresários que trabalham por conta própria e faturam até R$ 60 mil por ano. A estimativa é de que oito em cada dez novos negócios estão enquadrados nessa modalidade.

Mas montar um negócio nesse período de incertezas pode não ser tão simples assim. É preciso um estudo mais aprofundado para identificar os pontos fracos e fortes do momento e ter em mente que as oportunidades e dificuldades que aparecem agora não são as mesmas de um cenário econômico estável. Agora é um bom período para o empreendedor nacional: com o dólar mais alto, a importação se torna uma opção mais cara e a busca por produtos e serviços nacionais tende a crescer. Outro ponto importante a ser observado é que os clientes estão controlando mais os gastos, o que significa que, mais do que nunca, quem apresentar o melhor produto ou serviço por um preço mais justo terá mais chances de sucesso. Não é fácil, mas a crise pode e deve servir como um motivador.

Uma pesquisa da Plano CDE – consultoria especializada em pesquisas sobre a baixa renda – em parceria com a Netquest – empresa que faz levantamentos na internet – aponta que 56,6% dos novos empresários são mulheres. Deste total, 21,5% (o maior porcentual) trabalha nas áreas de higiene e beleza, vendendo produtos porta a porta ou prestando serviços de manicure, por exemplo. O setor de beleza sempre esteve em alta no Brasil e, mesmo na crise, continua crescendo. Atualmente, o país é o quarto maior mercado de cosméticos no mundo. Segundo a Fecomercio, os gastos anuais com cabeleireiros, manicure e pedicure são 18% maior do que o dispendido com educação.

Outro setor que continua faturando independente da crise é o da alimentação. E nessa fatia de mercado, ganha quem alinha inovação com bons produtos e preços acessíveis. Essa combinação explica o boom de food trucks  dos últimos anos. É um negócio que facilita a vida do cliente além de ser financeiramente mais viável do que um restaurante, por exemplo. E para que a tendência não vire fracasso, a dica é fugir do óbvio apostando numa gastronomia que não se vê com frequência pelas ruas, como sucos e saladas fitness ao invés de guloseimas gordurosas.

O QuinTAO Café seguiu essa linha. Localizado no Rio de janeiro, o negócio das irmãs Luciana Provenzano e Paola Souza serve comidas naturais, como hambúrgueres vegetarianos, brownie sem glúten e sem lactose, cafés orgânicos e mate caseiro. Com preço máximo de 15 reais, o faturamento médio mensal fica entre 100 e 150 mil reais.

Outro caso de sucesso é o Quitinete na Rua. A hamburgueria de Duda Ferreira, Luiz Morillo e Renato Consollaro, serve batatas rústicas, maionese de bacon e ketchup de cogumelo. O preço médio dos pratos é de 20 reais. O negócio abriu em fevereiro de 2016 com um investimento inicial de 350 mil e hoje e fatura em média 60 mil reais mensais.

Empresas que estão há mais tempo no mercado também estão encontrando espaço em meio à instabilidade econômica. A Ciao Mao, por exemplo, nasceu em 2007, quando a empresária Priscila Callegari deixou a carreira de designer arquitetônica para se dedicar a sua paixão: sapatos. Ela desenvolveu um conceito de modelos customizados, valorizando os detalhes das peças. Com apenas três anos, o empreendimento se estabeleceu no mercado. Atualmente a marca dribla a crise apostando no e-commerce (vendas on line). Além disso, possui três lojas físicas – avaliadas em um milhão de reais cada – e está em expansão para as demais regiões do Brasil.

Os momentos de dificuldades econômicas tem sido o berço de ótimas oportunidades. Além dos setores básicos, como roupas, saúde e alimentação, outros produtos e serviços têm se mostrado fortes no mercado. Com o orçamento apertado, muita gente opta pelo reparo ao invés de comprar um item novo e é aí que está a oportunidade de negócio. O segredo do sucesso, tanto para quem está começando quanto para quem quer se consolidar nesse momento, é oferecer serviços indispensáveis ao dia a dia com qualidade e preço acessível.

*Com informações do Estado de S. Paulo, Exame e Novo Negócio.